domingo, 14 de julho de 2013

EMPREGO: É PRECISO MUDAR DE ESTRATÉGIA



Portugal precisa de mudar de estratégia para combater o flagelo do desemprego. 

Não é fácil, pois o mercado global coloca a Europa numa concorrência desleal com a Ásia, com as empresas a terem se suportar enormes encargos com o sistema social, encarecendo fortemente os fatores de produção, quando comparados com os fatores daqueles países.

Em Inglaterra, os Liberais-democratas, força política que surgiu em 1988 da fusão do Partido Liberal com o Partido Social-Democrata, aceitou uma coligação com os Conservadores na sequência das eleições gerais de 2010.

Um dos ministérios que passou a liderar foi o novo ministério dos negócios, inovação e qualificações (Departmente of Business, Innovation and Skills) (https://www.gov.uk/government/organisations/department-for-business-innovation-skills), que  agora tem como principais objetivos  o crescimento económico e o desenvolvimento empresarial, como base para o crescimento do emprego. Para garantir condições para este crescimento, naturalmente a ciência, a educação são considerados como elementos essenciais, assim como a reforma do sistema financeiro procurando que este passe a ser um sector responsável e sustentável.
Desde 2010, um conjunto de políticas desenvolvidas no quadro desta estratégia, permitiu a criação de mais de um milhão de empregos.

Para que isto fosse possível encetou-se uma profunda reforma assente nas seguintes matrizes:

  1. Simplificar o sistema de apoio social, tornando-o mais justo, mais sustentável e mais capaz de reduzir a pobreza e a subsídio-dependência ;
  2. Ajudar as pessoas a encontrar e manter trabalho; (work not employment)
  3. Fazer com que o mercado de trabalho seja mais flexível, mais eficiente e mais justo;

Princípios simples, mas essenciais para uma reforma de sucesso do Estado Social.

Na base está o conceito que mais vale ter uma pessoa a trabalhar do que viver de subsídios, nem que seja o Estado a pagar o seu salário.

Pode não parecer um conceito liberal, mas o liberalismo democrático não deixa de considerar o papel do Estado como essencial para a regulação da economia, ciente de que apenas a partir de uma situação de mercado de concorrência quase perfeita se garante que este seja auto-regulado.

Vivemos numa sociedade que permitiu uma globalização desregulada, que criou grandes desigualdades entre as condições económicas de base, em grande medida em virtude das enormes desigualdades que o Estado Social europeu cria às empresas europeias. A Europa se pretende manter o Estado Social, e todos queremos que assim aconteça, tem de assumir esta desigualdade e começar a ponderar mecanismos de compensação, impondo políticas que defendam os interesses dos cidadãos europeus.

Mas ainda não estão satisfeitos, por isso Nicky Clegg lançou, ao nível dos Lib Dems a campanha “A million jobs for a stronger econony” (http://www.amillionjobs.org/) ou seja, pretende duplicar o que já se alcançou.

Um dos instrumentos mais interessantes desta política foi o Regional Growth Fund (https://www.gov.uk/understanding-the-regional-growth-fund ), um fundo de 2,6 mil milhões de Libras, para ser utilizado entre 2011 e 2017. Até agora, terminada a 3ª fase, foram aprovados projetos no valor de 2 mil milhões de Libras, que implicaram a criação de 473 mil empregos , e investimento privado de 12 mil milhões de Libras. Devido a este sucesso o Governo britânico decidiu em Junho injetar mais 6 mil milhões de Libras, passando o Regional Growth Fund a contar com 3,2 mil milhões de Libras.

Este fundo não esquece PMEs (https://www.gov.uk/regional-growth-fund-a-guide-for-small-and-medium-enterprises-smes ), para a quais foram reservados mil milhões de Libras, apoiando projetos a partir de 5 mil Libras.

Um exemplo de como o Estado pode apoiar o crescimento económico e o emprego, pugnando pelo fortalecimento da iniciativa privada, desafiando as pessoas a investir no seu futuro, e a não ter receio de arriscar.

Boas ideias devem ser seguidas com atenção e adaptadas à nossa realidade.

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