Em Portugal somos muito do 8 ou
80. Durante muitos anos os benefícios dos políticos foram exagerados.
Por puro
populismo foram abolidos … para os novos. Porque os direitos adquiridos
daqueles que iam votar a lei mantiveram-se.
Assim temos hoje muita gente
recebendo pensões vitalícias que acumulam com outros rendimentos. O que para
todos nós deveria ser inaceitável.
Paralelamente temos brevemente um
grande número de presidentes de câmara e de junta que irão abandonar os seus
cargos, em alguns casos com 12, 16, 20 ou mais anos de serviço público. Alguns
sem nada, outros com muito pouco (um subsídio de reintegração para os que
estavam em exercício de funções antes da alteração à lei.
Estiveram a trabalhar a tempo
inteiro para todos nós. Terminam o mandato, não têm direito a subsídio de
desemprego, e no máximo poderão receber de 11 meses de salário de compensação
(à razão de um por semestre de exercício efectivo), isto para os mandatos anteriores
a 2005.
Ou seja um presidente que agora
atinge o limite de mandato, 12 anos, apenas terá direito a um subsídio de
reintegração de 8 meses (reportado ao primeiro mandato). Enquanto que um normal
trabalhador tem uma indemnização superior e pode ir para o subsídio de
desemprego.
Ou seja uma pessoa dá de si a
todos nós durante 12 anos, e fica numa situação precária.
Pior, quem faz agora 8 anos de mandato, e sai, não tem direito a nada!!
Pior, quem faz agora 8 anos de mandato, e sai, não tem direito a nada!!
E depois clamamos que há
muita corrupção em Portugal!
O exercício de funções políticas
deve ser devidamente enquadrado. E os políticos que abandonam as funções
deveriam ter direito pelo menos a exactamente o mesmo que um trabalhador.
Pelo menos, porque me parece
justo que, devido à especial relevância das funções desempenhadas, deveria ser
garantido o subsídio de desemprego por um período mais alargado.
Senão, quem estará disponível
para abdicar da sua carreira para gerir a causa pública?
É preciso garantir que estas
pessoas tenham pelo menos alguma segurança quanto ao seu futuro, de outra forma
apenas estamos a criar condições para fenómenos como a corrupção.
Portugal precisa de uma classe
política com qualidade.
Há que garantir que os melhores possam vir para a política.




